“Evocar o nascimento do movimento mutualista através da Confraria de Fungalvaz, em Torres Novas, em 1176, é fazer coincidir diacronicamente as reivindicações de proteção social e assistência aos mais desfavorecidos com a história do nosso país” – assinalou o Presidente da República, numa mensagem que dirigiu aos mutualistas e que foi lida na sessão evocativa do berço do mutualismo, que decorreu este sábado, em Torres Novas.
Na impossibilidade de estar presente na cerimónia, Marcelo Rebelo de Sousa escreveu uma mensagem onde salienta os desafios económicos e sociais que obrigam as mutualidades a pensar o futuro. “Com a necessária capacitação dos recursos humanos, de forma a fazerem face a uma sociedade mais digital. Com a modernização das estruturas e das respostas de previdência e proteção social, adaptadas às exigências de um novo ambiente económico e sociais. Com inovação e recursos tecnológicos para facilitar a assistência e as soluções. Sem nunca esquecer a vocação primeira, humanista, de proximidade e solidariedade”, destacou.
A sessão, que decorreu no auditório da Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, foi presidida pela Secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes, que realçou a importância do papel do movimento mutualista na sociedade ao longo da história e a cultura de diálogo e proximidade que o governo tem procurado manter com o setor social na busca de soluções para muitos dos problemas das pessoas. “Esta postura tem permitido encontrar soluções céleres para muitas situações e continuar a fazer o acompanhamento das necessidades que se vivem no terreno”, afirmou, lembrando o aumento das comparticipações por via dos acordos de cooperação para as respostas sociais e as medidas de apoio para fazer face ao aumento dos preços e da taxa de inflação.
“Temos alguns desafios em mãos que são de dimensão considerável. O diálogo permanente que tem vindo a ser feito com o Ministério da Saúde já nos permitiu fazer chegar os balcões SNS24 às diferentes instituições de solidariedade e mobilizar camas para atender às situações de altas sociais. Temos algumas questões entre mãos, que ainda não foi possível resolver, entre as quais destaco as farmácias sociais, mas que certamente serão objeto de trabalho conjunto muito em breve”, acrescentou.
O Presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, salientou a “honra e o orgulho” por, ao que tudo indica, do território torrejano, ter partido um movimento que foi “uma âncora de vários ramos de solidariedade” em prol de quem precisa. O autarca manifestou o interesse em assinalar, oportunamente, esse marco histórico, de “uma forma digna”, na povoação de Fungalvaz, na freguesia de Assentis.
O Presidente da União das Mutualidades Portuguesas, Luís Alberto Silva, assegurou que “Portugal e os Portugueses podem contar com as mutualidades” na construção de “uma sociedade solidária, mais justa e inclusiva, baseada numa cidadania ativa e responsável”.
Realçando o papel histórico do mutualismo, que esteve na origem de outros movimentos sociais, criou as bases da segurança social moderna e influenciou a criação, em 1916, do Ministério do Trabalho e Previdência Social, destacou os desafios que se colocam às mutualidades no sentido de acompanharem as profundas transformações sociais e o envelhecimento da população a que assistimos.
Apelando ao empenhamento da Secretária de Estado, afirmou que o setor também terá que mostrar “outro arrojo, no desenho e na promoção e divulgação de soluções mutualistas modernas, inovadoras e ajustadas às novas necessidades dos cidadãos”, nomeadamente nas pensões complementares, nos mecanismos de proteção social da “geração dos recibos verdes”, na assistência social ou nos cuidados de saúde, tendo em conta os problemas de acesso dos cidadãos ao SNS.
A sessão evocativa contemplou, ainda, uma conferência sobre as origens e evolução do movimento mutualista em Portugal, proferida por Joana Dias Pereira, investigadora da Universidade Nova de Lisboa, e pontuada com momentos musicais assegurados pelo Choral Phydellius, tendo-se seguido uma visita à povoação de Fungalvaz.
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