O Secretário de Estado da Segurança Social, Gabriel Bastos, exortou o movimento das associações mutualistas a “fazer evoluir o seu paradigma, adaptando a sua oferta de produtos e serviços e alargando as suas áreas de atuação”.
Intervindo, à distância, na sessão de abertura do XII Encontro Nacional de Dirigentes Mutualistas, o governante afirmou que no domínio tradicional da proteção social, “se justifica ponderar se há margem e condições para ir mais além”. “Por ventura, haverá espaço para explorar novos domínios de complementaridade na proteção social, com modalidades de benefícios de segurança social que possam suscitar interesse nos associados”, explicou.
Esta edição do evento, realizada na Casa da Mutualidade d’A Previdência Portuguesa, em Coimbra, girou em torno do tema “As mutualidades na previdência social do futuro”, captando a atenção de dirigentes mutualistas, que lotaram os lugares sentados do espaço.
A temática inspirou a criação de um grupo de trabalho, anunciado no final pelo Presidente da União das Mutualidades Portuguesas (UMP), Luís Alberto Silva, constituído por associações mutualistas, docente do Ensino Superior na área do Marketing e Gestão da Marca, e por profissionais de atuariado e design de comunicação, e que foi incumbido de preparar um conjunto de propostas de modalidades de previdência social e poupança e respetivos planos de marketing, a submeter à apreciação das mutualidades.
Luís Alberto Silva aproveitou a sessão de encerramento, em que participou o novo Diretor-Geral da Direção-Geral da Segurança Social, António Santos Luiz, para apelar aos seus bons ofícios no sentido de ajudar a resolver alguns dossiês do setor, como a alteração parcial ao Código das Associações Mutualistas, e dar maior celeridade à apreciação dos processos das mutualidades.
António Santos Luiz realçou a capilaridade das mutualidades no território e “a capacidade de inovar e ajustar-se às novas realidades sociais” que as caracteriza e que a sua longevidade comprova.
O Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, José Manuel Silva, que participou na sessão de abertura, deu as boas-vindas aos dirigentes mutualistas de todo o país e aflorou o contributo que as mutualidades e as organizações sociais dão para a coesão social dos territórios. “As mutualidades e as associações são fundamentais nesta sociedade, cada vez mais desprotegida, mais agressiva, que nos coloca cada vez mais desafios”, frisou. Assim como as autarquias e o Estado são almofadas perante as convulsões a que assistimos, “a sociedade civil também precisa de constituir as suas e as mutualidades são uma das mais prestigiadas e mais antigas”, frisou José Manuel Silva, assinalando que, com 2,5 milhões de beneficiários, “são naturalmente instituições que impactam a sociedade”.
Em representação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, o Vogal Executivo do Centro 2030, Luís Francisco Filipe, destacou a resposta que as mutualidades e as instituições sociais dão aos problemas dos mais vulneráveis e desprotegidos e revelou aqueles que serão os próximos instrumentos de financiamento dos projetos destas instituições, no âmbito do Portugal 2030.
Um dos momentos principais do evento foi a conferência sobre “As mutualidades na previdência social do futuro”, onde foi sublinhado o desafio da pirâmide etária (envelhecimento da população), que acentua a necessidade de cativar mais associados jovens para assegurar a sustentabilidade das modalidades de previdência e proteção social. E, nesse âmbito, entronca a importância do marketing e da marca “mutualidades” e a necessidade de construir uma identidade, onde o papel do design de comunicação é essencial. O testemunho d’A Previdência Portuguesa, nomeadamente da estratégia que lhe tem permitido aumentar significativamente o número de subscrições das suas modalidades de poupança e previdência e a melhoria dos seus resultados, acrescentou valor a esta conferência, que registou uma grande participação dos dirigentes mutualistas que se encontravam na sala.
Moderada pelo coordenador de projetos da UMP, Edgar Diogo, intervieram na conferência: Inês Veiga Pereira, docente de Marketing e Gestão de Marca do Instituto Politécnico do Porto (ISCAP), Vânia Silva, profissional de design de comunicação, António Martins de Oliveira, Presidente d’A Previdência Portuguesa e Pedro Barbosa, atuário.
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