A União das Mutualidades Portuguesas (UMP), a Federação Nacional de Educação (FNE) e 15 outros sindicatos filiados na UGT celebraram, esta sexta-feira, o acordo de revisão do Contrato Coletivo de Trabalho das Mutualidades para 2025, que, fundamentalmente, atualiza as tabelas de remuneração dos trabalhadores.
Este ato público acontece pouco tempo de se celebrarem os cinco anos da assinatura, no Porto, do primeiro Contrato Coletivo de Trabalho para o setor das mutualidades, que o Presidente da UMP considera se ter tratado de “um marco histórico num movimento social com mais de oito séculos, que clarificou algumas zonas cinzentas das relações laborais” num setor de tão grande diversidade.
“Nestes cinco anos, o setor das mutualidades foi exemplo de paz social, ressaltando daqui o espírito de diálogo e compromisso que tem havido entre todas as partes envolvidas”, salientou Luís Alberto Silva, considerando os trabalhadores “o rosto das associações junto dos associados e das comunidades”
Sobre o acordo agora assinado, admitiu que “talvez não seja o ideal para cada uma das partes, mas é aquele que foi possível alcançar com equilíbrio e realismo, e que não colocará em causa a sustentabilidade das associações mutualistas”.
O dirigente da UMP retomou a proposta de criação de um único instrumento de regulamentação coletiva do trabalho transversal a todo o setor social e solidário, revelando que já houve um encontro exploratório sobre o assunto que reuniu as entidades representativas das mutualidades, misericórdias e instituições de solidariedade social. “Por razões alheias à UMP não foi possível ainda fechar esta matéria, mas continuaremos a trabalhar nesse propósito”, adiantou
O Vice-Secretário Geral da FNE, José Ricardo Coelho, saudou este acordo que constitui “mais uma etapa na valorização dos trabalhadores que dedicam o seu trabalho às causas sociais”. Admitindo que os sindicatos queriam ir “mais longe” nas conquistas laborais, lembrou que “negociar não é um processo de imposição” e que há muito a fazer pela valorização das instituições sociais, porque “o Estado não tem feito tudo o que está ao seu alcance pelo setor social”.
Recordando o dia 6 de março de 2020, quando foi assinado o primeiro CCT, o Secretário Geral Adjunto da UGT, José Cordeiro, sublinhou a importância que esse acordo teria durante a pandemia declarada poucos dias depois. “Foi um acordo que deu segurança às instituições e aos trabalhadores que foram o colo de muitas pessoas”, referiu.
O representante da UGT destacaria a importância para os trabalhadores e instituições dos acordos como o que agora foi assinado, que dão “previsibilidade jurídica e económica” e o desafio que se coloca, no futuro à economia do cuidado, com a inteligência artificial e a robotização de muitas tarefas. “No futuro, um trabalhador estará a desempenhar a sua função ao lado de um robô e este é um desafio que se coloca a nível mundial, mas a inteligência artificial, nunca substituirá o coração do cuidado”, rematou.
O acordo agora assinado será remetido para verificação da Direção Geral do Emprego e das Relações de Trabalho e publicação no Boletim do Trabalho e Emprego.
A UMP realiza no dia 14 de fevereiro, pelas 10h00, um webinar para informar e esclarecer as suas associadas sobre o teor das alterações introduzidas nesta convenção coletiva.
São subscritores deste acordo, para além da UMP, as seguintes estruturas sindicais: FNE – Federação Nacional da Educação; Sindicato dos Professores da Zona Norte (SPZN); Sindicato dos Professores da Zona Centro (SPZC); Sindicato Democrático dos Professores da Grande Lisboa e Vale do Tejo (SDPGL); Sindicato Democrático dos Professores do Sul (SDPSul); Sindicato Democrático dos Professores dos Açores (SDPA); Sindicato Democrático dos Professores da Madeira (SDPM); Sindicato dos Trabalhadores de Apoio Educativo/Pessoal não Docente da Zona Norte; Sindicato dos Técnicos Superiores, Assistentes e Auxiliares de Educação da Zona Centro (STAAE-ZC); Sindicato dos Técnicos, Administrativos e Auxiliares de Educação Sul e Regiões Autónomas (STAAE Sul e Regiões Autónomas); SINAPE – Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação; SINDEP – Sindicato Nacional Democrático dos Professores; SITRA – Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes; SINDITE – Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica; SITESE – Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços; e SINTAP (Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos).