Os 719 anos do movimento mutualista estiveram em destaque no Dia Nacional do Mutualismo, que se assinalou no passado dia 8 de julho, na Torre do Tombo, em Lisboa. O evento reuniu mais de 150 pessoas, na sua maioria mutualistas, que assistiram a painéis tão diversos como “Respostas Mutualistas para Profissionais”, “Mutualismo, uma resposta no poder local” e “Diáspora Mutualista: mudam-se os tempos, mantêm-se as vontades”.
Foi um dia frutuosamente marcado pela troca de experiências, saberes e ideias, colocando-se a tónica em soluções inovadoras para o futuro do movimento mutualista. A edificação de novas formas de associativismo de âmbito mutualista, no seio das organizações e autarquias locais, como forma de, entre outros, garantir a proteção social e a saúde dos trabalhadores e suas famílias foram alguns dos temas abordados. Já no que à internacionalização diz respeito, debateram-se assuntos tão importantes como a garantia da saúde e da proteção social das pessoas dos países da CPLP e de como poderá Portugal, e em particular a UMP, ser um parceiro privilegiado no desenvolvimento do mutualismo nesses países.
A Secretária de Estado da Segurança Social, Cláudia Joaquim, também marcou presença no evento, tendo presidido o encerramento das comemorações, onde reconheceu publicamente a importância do mutualismo e do trabalho desenvolvido pelas associações mutualistas em Portugal.
“De facto, se para alguns o mutualismo pode ter perdido relevância, essencialmente a partir do momento em que se começaram a desenvolver os modernos sistemas públicos de proteção social, para outros, entre os quais este Governo se inclui, o mutualismo constituiu uma via relevante de enquadramento de esforços e iniciativas dos próprios interessados na luta e prevenção de determinadas situações de necessidade impostas por diversas vicissitudes da vida humana, espelhando o mais profícuo espirito de solidariedade”, referiu Cláudia Joaquim.
A Secretária de Estado lembrou que as Associações Mutualistas têm desempenhado um papel essencial no desenvolvimento do sistema complementar da segurança social, e reafirmou que a “insuficiência de outras formas de proteção social para reparar ou prevenir situações de necessidade individual ou coletiva” constitui um estímulo para a procura de soluções alternativas dotadas de poderosa eficácia social e prosseguidas no interesse das sociedades.
“Falar de mutualismo é falar de proteção social e da forma como as sociedades se organizam na prevenção e reparação dos riscos sociais e dos problemas deles emergentes”, disse.
O presidente do Conselho de Administração da União das Mutualidades Portuguesas, Luís Alberto Silva, frisou que “só com a existência de um quadro fortalecido pela união de todos, assente nos princípios e valores da autoajuda, da autorresponsabilidade, da democracia, da igualdade, da equidade e da solidariedade, na decorrência de fé que temos nos valores éticos da honestidade, da transparência, da responsabilidade social e de cuidar dos outros, é possível o desenvolvimento de um sistema de proteção social coeso”. Para conseguir dar a resposta que os associados e os beneficiários deste movimento tanto anseiam, Luís Alberto Silva lembrou que o apoio do Governo é essencial.
No Dia Nacional do Mutualismo foram ainda entregues os Prémios “Inovar para Melhorar 2016” e “Mutualismo e Solidariedade 2015”. O primeiro, que visa reconhecer projetos de Associações Mutualistas que sejam modelos de inovação e que constituam exemplos de boas práticas, foi atribuído ao projeto “A saúde mais perto de si” da Mutualista Covilhanense – Associação de Socorros Mútuos e ao projeto “Horta Pedagógica e Social” d’ A Previdência Portuguesa – Associação Mutualista. Serafim Gomes e Álvaro Santos foram os mutualistas que, este ano, foram agraciados com o Prémio Mutualismo e Solidariedade 2015, pelo mérito do trabalho desenvolvido, em prol do movimento. De parabéns estiveram, igualmente, todas as Mutualidades que participaram, com o seu espólio histórico, na organização da primeira exposição sobre o mutualismo em Portugal, promovida pela UMP, em resposta ao repto lançado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

