No 113.º aniversário da Associação de Socorros Mútuos de Nossa Senhora da Esperança de Sandim e Freguesias Circunvizinhas, a idade é o que menos conta. Os anos de vida são também anos de conquistas e, nas palavras do Presidente da Direção, Augusto Ferreira Machado, “nada seria possível sem a ajuda de uma equipa de voluntários que acredita nos projetos”.
Os associados foram os atores principais na sessão solene realizada no passado dia 8 de maio, no auditório da A. S. M. de Nossa Senhora da Esperança de Sandim, homenageados pelos 65 ou mais anos de ligação à instituição. O espírito de união e o sentimento de família são os ingredientes que ainda fazem a “máquina trabalhar” e que levam tantos voluntários a dar-se pelos outros. Exemplos destes não faltam e foram também lembrados, com a homenagem de uma cozinheira voluntária no Centro de Dia da Associação.
Mutualista desde criança, Augusto Ferreira Machado acompanhou parte da história da Associação, mas só quando assumiu a Direção é que compreendeu a dimensão e importância que esta Mutualidade tem para a população que serve. “Este serviço que nós prestamos, sobretudo aos mais velhos, e as valências que temos fazem realmente a diferença. Temos, neste momento, 70 utentes no Centro de Dia e não temos capacidade para mais. E, para além disso, fazemos 200 refeições diárias, que distribuímos nas nossas carrinhas. Estamos mesmo no máximo”, admitiu.
Luís Alberto Silva, presidente do Conselho de Administração da União das Mutualidades Portuguesas (UMP), considerou que esta Associação “muito tem dignificado o movimento mutualista português”, na medida em tem vindo a demarcar-se, na história, pela procura de soluções ajustadas à realidade e aos anseios da população que serve. “Recordo que, na sequência da auscultação das necessidades dos seus associados e da população em geral, há dois anos, esta Instituição dinamizou as suas modalidades investindo na área da saúde, através da abertura de uma farmácia e de uma clínica, com diversas especialidades médicas”, disse.
A atual Direção da Associação assumiu funções em condições muito difíceis, mas, com a envolvência de toda a equipa, foi possível criar novos serviços e respostas, tendo sempre em vista o próximo. “Em Sandim, não quero que haja ninguém com fome, todos têm direito a receber, pelo menos, uma refeição quente uma vez por dia”, sublinhou Augusto Ferreira Machado.
“É, para mim, gratificante poder participar nestes convívios, conhecer de perto a realidade das associações e sentir como as pessoas são as peças-chave na sobrevivência das mesmas. São exemplos como este que constituem a tónica central do desenvolvimento do Mutualismo”, admitiu Luís Alberto Silva.
Ainda há caminho a percorrer
Um centro de dia, uma clínica e uma farmácia social são há muito realidade, mas há ainda sonhos no papel para concretizar. “O grande sonho seria construir um lar permanente, a funcionar dia e noite. Temos previsões e expectativas de comprar o terreno ao lado do nosso edifício para o construir”, adiantou o presidente da Associação.
Luís Alberto Silva concorda que as Instituições têm que aumentar e melhorar a sua capacidade de ação, desenvolvendo, para além das tradicionais áreas de intervenção das Associações Mutualistas, outras devidamente identificadas como necessárias e socialmente úteis. “A União das Mutualidades Portuguesas tem tido como preocupação central a promoção e a divulgação da importância da ação do movimento mutualista junto da sociedade e, igualmente, junto dos Organismos e Entidades Públicas e Privadas. Destaco, também, a ação do movimento mutualista, que tem vindo a apoiar e a associar-se ao Estado na tarefa de prestar apoio em todas as valências que conhece”, referiu o presidente do CA da UMP, apelando para que as Associações participem ativamente nas atividades que se avizinham, como as Jornadas Mutualistas Regionais ou o evento “Portugal Economia Social”, no qual a UMP também marcará presença, nos próximos dias 19, 20 e 21 de maio, na FIL.
O presidente da União aproveitou, ainda, o momento para anunciar a realização do Dia Nacional do Mutualismo, a 8 de julho, na Torre do Tombo, em Lisboa.