Num primeiro impulso, é apenas o lado sombrio da pandemia que nos vem à mente: os postos de trabalho encerrados, as vidas perdidas, a exaustão dos profissionais de saúde, as restrições aplicadas por todo o mundo. A crise provocada pela propagação do coronavírus trouxe, também, mais humanitarismo, inovação e capacidade de adaptação a novas circunstâncias. Trouxe aprendizagens que ninguém irá esquecer.
As mutualidades vocacionadas para a saúde, proteção à infância ou aos idosos, ou a previdência social, foram confrontadas com enormes desafios, quando em março de 2020 o país fechou portas para travar o vírus. Cada uma a seu modo, soube adaptar-se e responder a uma emergência social e sanitária nunca antes vivenciada.
“Claro que a pandemia não é desejável, mas acabou por nos fazer sentir mais preparados para o futuro, para alguma adversidade”, declara Alexandre Lopes, Presidente do Conselho de Administração da Associação de Socorros Mútuos de São Mamede de Infesta, que gere uma clínica mutualista. Da experiência retiram-se ilações. “Tivemos a perceção de que temos de trabalhar para criar reservas financeiras que nos permitam, no futuro, em situações semelhantes, sermos capazes de, por nós próprios, dar respostas e estarmos capacitados para enfrentar situações de crise que possam surgir”, destaca. No caso da associação matosinhense, quando a crise sanitária bateu à porta, “não se vivia um período muito abonatório, em termos da sua estabilidade financeira” e, nessa altura, para além da resiliência que foi necessária, o apoio do fundo de financiamento às organizações sociais, ajudou a colmatar esse problema. “Neste momento, estamos no rumo certo”, completa Alexandre Lopes.
Nos primeiros meses da pandemia, em que as informações, as orientações e recomendações chegavam em catadupa, as associações mutualistas foram capazes de se moldar ao contexto vivido. “Aprendemos a organizarmo-nos de outra forma, quer seja administrativamente, quer seja internamente, ao nível do funcionamento, e até na relação com os associados, com quem passámos a comunicar mais pela via digital”, salienta António Oliveira, Presidente do Conselho de Administração d’A Previdência Portuguesa, que, para além de produtos de previdência social, possui respostas na área da saúde e apoio à infância e habitação.
Não foi apenas na relação com os Associados que a as associações mutualistas se reforçaram. Esta pandemia revelou facetas humanas verdadeiramente admiráveis em muitos dos trabalhadores, principalmente daqueles que estavam na primeira linha do apoio aos idosos e às crianças.
“Aprendemos muito, em vários campos: não só na segurança e higienização, mas também sobre o que estava por trás de alguns ou da maioria dos funcionários. Isto permitiu-nos conhecer melhor as pessoas, como pessoas”, nota o Presidente da Direção do Legado do Caixeiro Alentejano, Évora, Vítor Godinho, realçando “a entrega e a dedicação extrema dos trabalhadores nos momentos mais difíceis”.
Artigo originalmente publicado na Revista Mut número 13.











