A Associação de Socorros Mútuos Restauradora de Avintes está a inverter a tendência de decréscimo de associados, reforçando o seu posicionamento junto da comunidade e a aposta na prestação de mais e melhores cuidados de saúde aos seus cerca de 11.500 associados.
Ao investimento de 700 mil euros realizado na construção da sede, a primeira de sua propriedade em 128 anos de existência, correspondeu a abertura de novas especialidades. O espaço para a instalação de uma farmácia social está reservado no rés-do-chão do edifício. Vazio, aguarda o desenlace do intrincado processo de licenciamento.
O futuro continuará marcado pelo empreendedorismo. António Sousa, Presidente do Conselho de Administração da Associação, assegura que o futuro continuará marcado pelo investimento. Em perspetiva, está a ampliação da área clínica para um terreno contíguo, onde se perspetiva, também, a criação de uma resposta social, ainda não definida.
A ASM Restauradora de Avintes teve um papel histórico importante na regeneração do Movimento Mutualista em Avintes no final do século XIX e no século XX, tendo acabado por integrar no seu seio outras associações mutualistas. Depois de uma fase de menor pujança, ressurge nos últimos anos, investindo e modernizando-se. Que reflexo tem tido essa aposta da instituição junto dos seus associados?
Nota-se um reporte muito positivo, por parte dos associados. As novas instalações modificaram a imagem da associação e criaram uma nova dinâmica que foi potenciada com o aumento da oferta clínica.
Com esta nova realidade, a Associação tem conseguido inverter a tendência da redução do número de associados?
Depois de um período, longo, em que se constava um decréscimo contínuo de associados, com a abertura das novas instalações nota-se uma estabilização e mesmo um aumento, ainda que ligeiro, no número de associados. Acreditamos que essa tendência se irá manter.
A construção da sede – a primeira casa própria da Associação – foi o ponto de partida para uma nova fase no percurso da instituição? E a Restauradora de Avintes realizou um investimento significativo exclusivamente com fundos próprios, sem financiamentos bancários ou de natureza pública…
Poderemos dizer, com segurança, que foi a alteração da dinâmica da gestão da Associação, a partir de 2010. Essa alteração derivou da eleição de Órgãos Sociais constituído por pessoas mais novas e com uma visão diferente. A construção das novas instalações é o corolário lógico dessa dinâmica.
A Associação investiu cerca de 700 mil euros nesse desiderato. A primeira parte na aquisição do terreno e do imóvel onde tinha a sua sede em regime de aluguer. A segunda na construção das novas instalações. O custo foi suportado exclusivamente pelos fundos próprios da Associação. No entanto é justo referir que tivemos o apoio da Câmara Municipal de Vila de Nova de Gaia, que fez os projetos, as demolições, o desaterro e a construção dos muros de delimitação. Está ainda pendente a construção dum arruamento que será igualmente suportado pela edilidade.
A prestação de cuidados de saúde tem sido a vai continuar a ser o principal foco da atividade da Associação. Além das condições físicas que consegue disponibilizar nas suas novas instalações, tem havido uma aposta significativa em alargar o leque de especialidades médicas a oferecer aos seus associados?
Uma das apostas que, acreditamos, mudou o sentido descendente do número de associados, foi o aumento do número semanal de consultas de Medicina Geral e Familiar, garantida pela contratação de mais três médicos. A isso acresce as especialidades médicas, que não existiam e foram disponibilizadas. Foi ainda disponibilizado o serviço de médico ao domicílio, englobado num protocolo com as Ligas das Associações Mutualistas do Porto.
Essa é uma aposta que continua nos horizontes?
Esse é um objetivo que continua a nortear o mandato do atual Conselho de Administração. O edifício que foi construído destina-se albergar os serviços sociais e administrativos e uma farmácia social. Na situação atual foi adaptado para funcionarem os serviços clínicos e de enfermagem, mas apenas numa situação transitória. Iniciamos já os trâmites para a construção, no terreno contíguo, de uma clínica para o funcionamento dos serviços inerentes à valência médica da Associação, cuja construção esperemos iniciar ainda no mandato dos atuais Corpos Sociais
Qual foi o impacto que a pandemia teve na vida e nos serviços da Associação?
A pandemia obrigou à adaptação dos serviços, para cumprimento das regras de funcionamento definidas pela DGS. Isso implicou um aumento nos custos inerentes. Mas trouxe também um aumento da procura dos serviços médicos, com a consequente pressão sobre o seu funcionamento. Tivemos alguns constrangimentos, encerrámos mesmo em curtos períodos, quando as funcionárias tiveram que ficar confinadas e não dispusemos de condições para manter o serviço em funcionamento.
As clínicas mutualistas têm constituído uma alternativa aos associados e à comunidade em face da maior dificuldade no acesso aos cuidados de saúde primários prestados pelo SNS. É também assim no caso da Restauradora de Avintes?
Sim, constatamos isso durante a pandemia. Os serviços da associação, ao garantir consultas médicas aos seus associados, contribuiu para aliviar a pressão sobre o Centro de Saúde do SNS. Mas, mesmo antes da pandemia, já havia um aumento de procura. Porque, possivelmente, existem alguns problemas no funcionamento do Centro de Saúde, pelo menos é o reporte que vamos tendo dos associados que utilizam os nossos serviços, mas também porque as taxas por consulta, na Associação, são inferiores às taxas moderadoras no SNS.
A nova sede reserva um espaço no seu rés-de-chão para onde estava previsto instalar uma farmácia social, mas continua vazio. É o grande constrangimento que a Associação enfrenta para consolidar um projeto que pretendia ser uma centralidade numa área da vila que não tem grandes respostas?
Essa é uma situação que nos causa desconforto. Iniciamos a modernização da Associação com a construção do presente edifício, porque, na sequência duma decisão judicial, o Infarmed iniciou as diligências para a atribuição do Alvará para a farmácia social, solicitando-nos os documentos iniciais e o layout da mesma. A farmácia é um dos objetivos da associação e vemos com desilusão todos os entraves que estão a ser colocados à sua implantação. Acresce que a localização da farmácia permitia cobrir uma importante área da freguesia de Avintes, onde esteve instalada uma farmácia que foi deslocalizada.
Ao lado da nova sede, a Restauradora de Avintes dispõe de uma área de terreno. Que destino lhe propõe dar?
Numa primeira fase, será aí implantada uma clínica para albergar os serviços médicos e de enfermagem. Posteriormente, e porque a área o deve permitir, possivelmente será utilizada para a instalação de uma resposta social. Mas, essa segunda situação estará dependente da data em que for implementada. A verdade é que hoje estão a nascer valências que há alguns atrás não eram sequer perspetivadas, por isso o que aí for construído há de ser adequado e enquadrado na época da sua construção.
O Plano de Recuperação e Resiliência reserva apoios para a criação de uma nova geração de equipamentos e respostas sociais. O Movimento Mutualista tem uma presença marcante também na proteção social. A Associação equaciona aproveitar esta oportunidade para alargar o âmbito da sua atuação, criando alguma resposta social?
A criação de uma resposta social não está prevista no atual plano estratégico da Associação. Mas, estamos atentos e, se surgir uma oportunidade que seja interessante, social e financeiramente, estudaremos a situação.
O papel da Associação em Avintes é reconhecido pelos associados e pelas forças vivas da comunidade?
Depois de um longo período de letargia, em que nem os associados reconheciam a Associação, a atual dinâmica e as novas instalações, deram visibilidade à Associação. Da visibilidade, resultou o conhecimento da Associação e da sua atividade. Agora que a comunidade a as forças vivas, conhecem a Associação, sentimos que a reconhecem e lhe dão a importância devida.
Este artigo foi originalmente publicado na revista Mut número 13.