Nas quatro semanas de agosto, propomos uma visita a quatro territórios com presença mutualista e com tanto por descobrir. Depois de São Pedro do Sul, no Distrito de Viseu, propomos uma escapadinha ao coração do Alentejo. Classificada como Património Mundial pela UNESCO, Évora é mais do que um museu a céu aberto — é uma cidade que pulsa história, arte e vida comunitária. Évora oferece a quem a visita experiências singulares… e um exemplo vivo de solidariedade ativa, através das suas duas mutualidades: o Legado do Caixeiro Alentejano e o Legado do Operário de Évora.
Ambas promovem diariamente a coesão social neste território: uma através de respostas sociais à infância, à velhice e previdência social; a outra com uma clínica de saúde, habitação para arrendamento a custos acessíveis e uma galeria, o Atelier do Páteo, que dá palco às expressões artísticas.
Comece a visita pelo Templo de Diana e deixe-se guiar pelas ruelas brancas até à Sé de Évora, à Igreja de São Francisco com a Capela dos Ossos, o Aqueduto da Água de Prata e as Muralhas Fernandinas. Desça até à Praça do Giraldo e sinta o pulsar da cidade. Numa esplanada, refresque-se e leia. Sugerimos “O Alentejo Prometido” de António Lobo Antunes — uma viagem íntima à alma alentejana. À tarde, prossiga a leitura no Jardim Público de Évora, entre sombras centenárias, pavões e ruínas romanas.
Ao jantar, experimente uma das iguarias da região: açorda de ovas com coentros ou migas com carne de porco, regadas com um bom vinho da talha.
Cultura viva e o outro lado da cidade
Reguengos de Monsaraz e o Alqueva estão a pouco mais de meia hora, mas se preferir pode conhecer a Fundação Eugénio de Almeida ou o Bairro do Legado Operário, símbolo da habitação acessível promovida pelo movimento mutualista.
Almoce num dos muitos restaurantes fora do centro histórico — onde ainda se serve ensopado de borrego como antigamente — e brinde ao Alentejo com uma taça de vinho branco fresco.
O mutualismo vive em Évora
Nesta cidade feita de pedra e calor humano, o mutualismo é um pilar muito presente. O Legado do Caixeiro Alentejano e o Legado do Operário de Évora são exemplos vivos de como a economia social contribui para o bem-estar, a cultura e a inclusão, dia após dia.
Évora não é só um lugar a visitar — é um território a sentir. E o mutualismo faz parte dessa experiência.
O Legado do Caixeiro Alentejano
Fundado a 15 de outubro de 1926, tem 1950 associados e dá emprego a cerca de meia centena de pessoas. Disponibiliza residências aos estudantes que procuram a Universidade de Évora e várias modalidades de previdência social que promovem a poupança com propósito. O Legado do Caixeiro Alentejano desenvolve várias respostas sociais distribuídas pelos 12 hectares da Quinta dos Apóstolos. A Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, que acolhe 32 utentes, e o seu Centro de Dia são valências muito procuradas em Évora. O Serviço de Apoio Domiciliário presta assistência a 40 utentes e a sua cantina disponibiliza apoio alimentar a muitas pessoas vulneráveis. Noutra área da Quinta, não muito distante do complexo sénior, são as crianças que agitam os dias. A creche acolhe 35 utentes e o jardim de infância 50 e, não raras vezes, participam em atividades intergeracionais com os idosos.
O Legado Operário de Évora
A dois anos de completar um século de existência, administra um bairro de 86 moradias erguido pela associação nos anos 40 do século passado, que arrenda a associados, a custos acessíveis. A sua Clínica São João de Deus, com múltiplas especialidades médicas, é outra resposta muito procurada pelos seus associados e um contributo importante para o acesso dos eborenses aos cuidados de saúde.
O Legado do Operário possui ainda uma carteira diversificada de modalidades de previdência social e poupança, à medida das necessidades e expectativas dos seus mais de 2.400 associados.
O Atelier do Páteo é uma estrutura dedicada à promoção e divulgação das expressões artísticas, mostrando que o mutualismo tem também uma palavra a dizer na Cultura.