
A União das Mutualidades Portuguesas (UMP), a CNIS, a União das Misericórdias (UM) e os Ministérios da Saúde (MS), da Educação e Ciência (MEC) e da Solidariedade, Emprego e Segurança Social (MSESS) assinaram, na passada quarta-feira, dia 3 de maio, em São Bento, o Compromisso de Cooperação para o Setor Social 2017-2018, num evento protocolar onde também marcou presença o primeiro-ministro, António Costa. Este Compromisso de Cooperação vem estabelecer os princípios fundamentais de cooperação entre o Estado e o Setor Social e Solidário, no contexto de diálogo construtivo e aberto.
Deste compromisso, resulta o aumento em 2,1%, face ao observado em 2016, da comparticipação financeira da segurança social relativa ao funcionamento dos equipamentos e serviços sociais, para o ano de 2017. Do referido aumento, 1,8 % destina-se à atualização de todos os acordos de cooperação relativos às respostas sociais, enquanto os restantes 0,3% servem para compensar os encargos decorrentes do aumento gradual da taxa social única (TSU) a aplicar a todos os acordos de cooperação. Segundo o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, o documento ratifica o “maior aumento da comparticipação financeira no âmbito da cooperação com as instituições do setor social desde 2009, sinal do forte empenho do Governo na promoção da parceria com o terceiro setor”. Vieira da Silva aproveitou a ocasião para anunciar que o primeiro concurso público para novos acordos de cooperação com o Setor Social vai estar disponível a partir de dia 15 de maio, e ficarão já abrangidos pela atualização de 2,1% na comparticipação financeira. Nas palavras de Vieira da Silva, estes acordos de cooperação têm um “papel fundamental na sustentabilidade das instituições”.
Com a ratificação deste acordo de cooperação, o Governo compromete-se ainda a prestar particular atenção à cooperação com o setor solidário em domínios como o combate à pobreza, reforço no apoio às famílias e às comunidades e maior integração de grupos sujeitos a riscos de marginalização, bem como atualiza as diretrizes de cooperação em áreas de atuação como a segurança social ou a formação profissional. No que refere ao setor da educação, o compromisso sublinha a vontade de considerar a rede solidária como parceira fundamental na expansão da educação pré-escolar, que é encarada, por um lado, como estratégia de promoção do sucesso escolar e da qualidade das aprendizagens e, por outro, como uma estratégia concertada de combate ao abandono escolar precoce. A União das Mutualidades Portuguesas destaca também o papel de relevo que este documento dá às instituições do setor social e solidário no que às respostas na área da saúde diz respeito, por ser de basilar importância que o terceiro setor social tome um lugar dianteiro como parceiro relevante no planeamento territorial das redes nacionais de cuidados integrados. O Presidente do Conselho de Administração da União das Mutualidades Portuguesas, Luís Alberto Silva, revelou-se “agradado com a assinatura deste documento, que vem dar um maior suporte ao Setor Social, reforçando ainda mais as já sólidas linhas de cooperação entre o Terceiro Setor e o Estado”.
O Compromisso para o biénio 2017-2018, agora assinado, pretende reforçar os princípios da transparência, da confiança e da partilha de um plano estratégico no âmbito do desenvolvimento social, que garanta a sustentabilidade das instituições do setor social e a acessibilidade aos serviços e respostas sociais por parte dos cidadãos, mantendo a qualidade dos serviços prestados às populações. O documento resulta de uma única proposta que foi previamente acordada pelas três organizações representativas do Setor Social e Solidário e que destacam o facto desta proposta única não apenas fortalecer o seu poder negocial, mas facilitar o próprio processo negocial, iniciado no passado mês de fevereiro. Esta concertação de esforços é, igualmente, prova da união e da força do Setor Social Solidário em tempos de incerteza. “É muito importante que a Economia Social fale a uma só voz, mostrando, assim, a sua força e importância na sociedade. É uma forma de nos focarmos nas soluções e sermos mais assertivos na tomada de decisões. Ao mesmo tempo, permite que o Governo e a população em geral compreendam que, apesar das especificidades de cada entidade representativa do Setor Social, estamos aqui por uma mesma razão: servir o próximo”, sublinha Luís Alberto Silva.